Fiel à aldeia mineira, Tavinho Moura renova repertório em poético CD autoral

por:em março 9, 2018

Em 1978, o cantor, compositor e músico mineiro Tavinho Moura lançou o primeiro álbum, Como vai minha aldeia (RCA-Victor), já enturmado com os compositores amigos do Clube da Esquina. Neste disco, Moura apresentou músicas como Cruzada, composta em parceria com Márcio Borges. Decorridos 40 anos, sempre fiel à aldeia e à turma musical das Geraes, o artista renova o repertório autoral no álbum O anjo na varanda, recém-lançado pela gravadora Dubas, da qual Ronaldo Bastos, poeta fluminense associado ao clube mineiro, é um dos diretores artísticos.

Amigo das antigas, Bastos é também o parceiro letrista de Moura em três das 14 músicas do disco, assinando os versos de Menino Bente Altas, da canção-título O anjo na varanda e de Eu e mais você. As três músicas são inéditas. Já Chico Amaral é o parceiro mais novo, autor dos versos de Serra da lua, música nascida a partir de viagem de Tavinho a Roraima, à procura de aves aras.

Em que pesem as presenças de novos e antigos parceiros, o álbum O anjo na varanda é pautado pela presença de Fernando Brant (1946 – 2015), colaborador habitual do cancioneiro de Moura com a fina escrita poética que engrandece a obra de Milton Nascimento e o próprio disco ora lançado com capa que expõe ilustração de Tereza Moura. Essa presença soa natural pelo fato de o embrião do álbum O anjo na varanda ter sido o projeto de Moura de viabilizar o segundo volume do álbum Conspiração dos poetas, dando sequência ao disco de 1997 assinado com Brant.

Capa do álbum 'O anjo na varanda', de Tavinho Moura (Foto: Divulgação / Dubas)Capa do álbum 'O anjo na varanda', de Tavinho Moura (Foto: Divulgação / Dubas)

Capa do álbum ‘O anjo na varanda’, de Tavinho Moura (Foto: Divulgação / Dubas)

O projeto foi inviabilizado com a repentina saída de cena de Brant, em 2015, mas o poeta letrista deixou pronto os versos de músicas como Dona do olhar e Clara Clara Clara, composição registrada no disco com o toque magistral do violão de Chiquito Braga (1936 – 2017), outro ícone da música mineira que saiu de cena antes que Moura lançasse O anjo na varanda.

Embora O anjo na varanda seja essencialmente um álbum de músicas inéditas, Moura – em foto de Dario Syl – rebobina algumas composições que sobressaíram em discografia que já contabiliza 40 anos. Encontro das águas (1990), tema originalmente instrumental lançado por Almir Sater, reaparece com a letra posteriormente escrita por Fernando Brant e apresentada em disco em 2004.

Outra música regravada no disco é Cabaré mineiro, composta por Moura com versos do poeta (mineiro, claro) Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987). Embebido em poesia, mote de letras escritas em sintonia com melodias delicadas, o CD O anjo na varanda mostra que a aldeia de Tavinho Moura vai muito bem.


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